O que começou com 16 produtores em 1990, hoje se transformou em uma potência. A Associação dos Bataticultores da Região de Vargem Grande do Sul (ABVGS) conta atualmente com mais de 150 associados, que juntos cultivam mais de 16 mil hectares de batata, além de outras culturas como milho e feijão. A força da associação é tamanha que a região é responsável por 60% da produção de batata de inverno do estado de São Paulo. Com 35 anos de história, a ABVGS olha para o futuro com foco na inovação e na sustentabilidade. Parcerias com empresas de tecnologia e pesquisa buscam aprimorar ainda mais o cultivo, com o uso de fertilizantes de menor impacto ambiental e técnicas de agricultura regenerativa. A saga da batata em Vargem Grande do Sul é a prova de que a união, o trabalho e a visão de futuro são capazes de transformar uma região e garantir a prosperidade para as próximas gerações de bataticultores.
Vargem Grande do Sul: O Berço da Bataticultura Paulista e a Saga dos Pioneiros
A história da batata em Vargem Grande do Sul, no interior de São Paulo, começa a ser escrita na década de 1960, com a chegada de imigrantes japoneses. Foram eles os pioneiros que, de forma familiar, iniciaram o plantio do tubérculo na região, aproveitando o clima propício, com dias amenos e noites frias, ideal para o desenvolvimento da cultura. Aos poucos, produtores locais também aderiram à atividade, vislumbrando o potencial da bataticultura. No entanto, o caminho não foi fácil. O alto custo para a importação das sementes e os desafios da produção levaram os agricultores a uma conclusão: a união era fundamental para o sucesso. Foi com esse espírito que, em 1990, um grupo de 16 produtores se uniu para fundar a Associação dos Bataticultores da Região de Vargem Grande do Sul (ABVGS), com o objetivo de enfrentar os problemas e fortalecer a cadeia produtiva. A criação da ABVGS foi um marco, e a experiência exitosa inspirou a fundação da Cooperativa dos Bataticultores da Região de Vargem Grande do Sul (Cooperbatata) em 1999, por um grupo de cerca de 50 produtores. Essas duas instituições foram os pilares que sustentaram o crescimento da bataticultura na região, consolidando Vargem Grande do Sul como a “Terra da Batata” e um exemplo de associativismo e cooperação no agronegócio brasileiro.
A Saga da Batata: Dos Andes ao Brasil, a jornada de um tesouro subterrâneo
Como o tubérculo andino, cultivado há mais de 8.000 anos, chegou ao Brasil e se tornou um dos alimentos mais consumidos no país. Originária da Cordilheira dos Andes, onde é cultivada há mais de oito milênios, a batata (Solanum tuberosum L.) iniciou uma jornada global que a transformaria em um dos pilares da alimentação mundial. Após ser introduzida na Europa no século XVI, a raiz cruzou o Atlântico novamente, desta vez com os colonizadores europeus, e desembarcou no Brasil. Inicialmente, seu cultivo era restrito a hortas familiares, onde era carinhosamente chamada de “batatatinha”. A expansão da batata pelo território brasileiro ganhou força no final do século XIX, especialmente na região Sul, que apresentava condições climáticas mais favoráveis. Foi nesse período que o tubérculo começou a se popularizar e a ganhar importância na dieta nacional. Curiosamente, a alcunha “batata inglesa” surgiu com a construção de ferrovias no país, pois era um item indispensável nas refeições dos técnicos vindos da Inglaterra para trabalhar nas obras. De um cultivo modesto e manual, a batata evoluiu para se tornar o quarto alimento mais consumido no mundo, atrás apenas do arroz, trigo e milho. No Brasil, essa trajetória não foi diferente. O que começou como um alimento de subsistência se transformou em uma cultura agrícola de grande relevância econômica e social, abrindo caminho para o desenvolvimento de polos produtivos em diversas regiões do país.



